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Por Que Times Falham em Performance: erros comuns e como evitá-los

Times falham em performance não por falta de talento, mas por padrões repetitivos de comportamento. Identifique e corrija antes que seja tarde.

A maioria das falhas de performance não são técnicas — são organizacionais. Times talentosos falham por padrões repetitivos que podem ser identificados e corrigidos. Este artigo explora os erros mais comuns e como evitá-los.

Se seu time continua tendo os mesmos problemas de performance, o problema não é técnico. É sistêmico.

Padrão 1: Performance como Afterthought

O problema

Sprint 1-5: Implementar features
Sprint 6: "Agora vamos otimizar"

Realidade:
- Dívida de performance acumulada
- Arquitetura difícil de otimizar
- Deadline pressionando
- "Otimização fica para depois"

Por que acontece

- Pressão por features visíveis
- Performance não é critério de "done"
- Não há SLOs definidos
- "Funciona na minha máquina"

Como evitar

Definition of Done:
  - [ ] Feature implementada
  - [ ] Testes passando
  - [ ] Performance dentro do SLO
  - [ ] Sem regressão em métricas

Shift Left:
  - Testes de performance no CI
  - SLOs desde o início
  - Review de performance em PRs

Padrão 2: Otimização Prematura

O problema

# Dev passa 2 dias otimizando
cache = LRUCache(size=1000)
bloom_filter = BloomFilter(capacity=1000000)
sharding = ConsistentHash(nodes=16)

# Função é chamada 10 vezes por dia
# Tempo economizado: 0.001 segundos/dia

Por que acontece

- Não há profiling
- Otimizar é "divertido"
- Suposições sobre gargalos
- Síndrome do desenvolvedor entediado

Como evitar

# Regra: Profile first, optimize second
def should_optimize(function):
    profile = run_profiler()

    # Só otimiza se:
    # 1. Está no top 10 de consumo
    # 2. É chamada frequentemente
    # 3. Tempo > threshold

    if profile.is_hotspot(function):
        return True
    return False

Padrão 3: Culpar o Framework

O problema

"Node é lento"
"Python não escala"
"Java consome muita memória"
"Kubernetes é overhead"

Realidade:
- Netflix usa Node (bilhões de requests)
- Instagram usa Python (2B usuários)
- LinkedIn usa Java (em escala massiva)
- Google usa Kubernetes (tudo)

Por que acontece

- É mais fácil culpar tecnologia
- Evita admitir problemas de código
- Falta de conhecimento da ferramenta
- Grass is greener syndrome

Como evitar

Antes de culpar tecnologia:
  1. Profile e identifique gargalo real
  2. Pesquise se outros têm o mesmo problema
  3. Verifique se está usando corretamente
  4. Teste alternativas com dados reais

Regra: Se outros conseguem escalar, você também pode.

Padrão 4: Não Medir

O problema

"Parece mais lento"
"Acho que melhorou"
"Deve estar bom"

Sem métricas:
- Não sabe se melhorou ou piorou
- Não sabe o quanto
- Não sabe o impacto
- Decisões baseadas em feeling

Por que acontece

- "Monitoramento é caro"
- "Não temos tempo"
- "Depois a gente implementa"
- Falta de cultura de dados

Como evitar

Mínimo viável:
  - Latência: p50, p95, p99
  - Throughput: req/s
  - Erros: % de falhas
  - Saturação: CPU, memória, I/O

Ferramentas gratuitas:
  - Prometheus + Grafana
  - CloudWatch básico
  - Elastic APM open source

Padrão 5: Testar Errado

O problema

Teste:
  - 100 usuários
  - 5 minutos
  - Dados de dev
  - Rede local

Produção:
  - 10.000 usuários
  - 24/7
  - 10 milhões de registros
  - Rede variável

Resultado: "Funcionou no teste, falhou em produção"

Por que acontece

- Testes são caros
- Ambiente de teste ≠ produção
- Não há dados realistas
- Pressa para entregar

Como evitar

Testes realistas:
  Volume: Similar a produção
  Duração: Tempo suficiente (soak test)
  Dados: Tamanho e distribuição reais
  Rede: Inclui latência real

Validação:
  - Comparar métricas de teste com produção
  - Se diferem muito, teste não é representativo

Padrão 6: Ignorar Alertas

O problema

Alerta: "CPU em 80%"
Time: "É só um spike, ignora"

Alerta: "CPU em 90%"
Time: "Ainda funciona"

Alerta: "CPU em 100%"
Time: "..."
Produção: Down

Por que acontece

- Alert fatigue (muitos alertas falsos)
- "Sempre foi assim"
- Falta de ownership
- Prioridades conflitantes

Como evitar

Alertas efetivos:
  - Poucos e acionáveis
  - Thresholds calibrados
  - Runbooks claros
  - Owner definido

Regra: Se alerta não requer ação, delete.

Padrão 7: Herói Individual

O problema

Time: 5 pessoas
Performance hero: 1 pessoa

Hero:
  - Faz todos os profiling
  - Resolve todos os incidentes
  - Escreve todas as otimizações

Quando hero sai:
  - Ninguém sabe como funciona
  - Problemas se acumulam
  - Conhecimento perdido

Por que acontece

- Hero é eficiente curto prazo
- Falta de tempo para treinar
- "João resolve mais rápido"
- Incentivos desalinhados

Como evitar

Distribuir conhecimento:
  - Pair programming em incidentes
  - Rotação de on-call
  - Documentação obrigatória
  - Sessions de knowledge sharing

Métrica: Bus factor > 2

Padrão 8: Resolver Sintomas

O problema

Sintoma: Sistema lento
"Solução": Adicionar mais servidores

Semana 1: 4 servidores
Semana 4: 8 servidores
Semana 8: 16 servidores
Custo: 4x

Root cause: Query N+1 não resolvida
Solução real: Adicionar índice
Custo: 0

Por que acontece

- Pressão por resolver rápido
- Mais fácil jogar hardware
- Falta de tempo para investigar
- "Scale first, optimize later"

Como evitar

Análise de root cause:
  1. Sintoma identificado
  2. 5 Whys para encontrar causa
  3. Fix no root cause
  4. Validar que sintoma sumiu
  5. Postmortem documentado

Framework de Diagnóstico

## Checklist: Por que estamos falhando?

### Cultura
- [ ] Performance é prioridade visível?
- [ ] SLOs definidos e respeitados?
- [ ] Postmortems são blameless?
- [ ] Conhecimento distribuído?

### Processo
- [ ] Performance testing no CI?
- [ ] Alertas são acionáveis?
- [ ] Runbooks atualizados?
- [ ] Root cause analysis feita?

### Técnico
- [ ] Profiling regular?
- [ ] Testes representativos?
- [ ] Monitoramento adequado?
- [ ] Baseline definido?

Score:
  0-4: Crítico
  5-8: Precisa atenção
  9-12: Saudável

Conclusão

Times falham em performance por padrões previsíveis:

Padrão Sintoma Solução
Afterthought Problemas em produção Shift left
Prematura Tempo desperdiçado Profile first
Culpar tech Mudança constante Dominar ferramentas
Não medir Decisões por feeling Métricas básicas
Testar errado Surpresas em prod Testes realistas
Ignorar alertas Incidentes evitáveis Alertas acionáveis
Herói Single point of failure Distribuir conhecimento
Sintomas Custos crescentes Root cause analysis

A boa notícia: todos são corrigíveis. A má notícia: requerem mudança de comportamento, não de tecnologia.

O problema raramente é que o time não sabe otimizar. O problema é que o time não está otimizando o que deveria.

timesfalhasculturaprocessos
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