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Elasticidade em ambientes cloud: escalando sob demanda

Elasticidade permite que sistemas cresçam e encolham automaticamente. Entenda como funciona, seus benefícios e os cuidados necessários.

Uma das maiores promessas da cloud é a elasticidade: a capacidade de aumentar ou diminuir recursos automaticamente conforme a demanda. Em teoria, você paga apenas pelo que usa e nunca fica sem capacidade.

Na prática, elasticidade efetiva exige muito mais do que habilitar autoscaling. Este artigo explora o que é elasticidade, como ela funciona, e os cuidados necessários para aproveitá-la de verdade.

Elasticidade não é mágica. É engenharia bem aplicada.

O que é Elasticidade

Elasticidade é a capacidade de um sistema adaptar seus recursos automaticamente em resposta a mudanças na demanda.

Diferente de escalabilidade (que é a capacidade de crescer), elasticidade inclui também a capacidade de encolher — liberando recursos quando não são mais necessários.

Elasticidade vs Escalabilidade

Conceito Definição
Escalabilidade Capacidade de crescer para atender mais demanda
Elasticidade Capacidade de crescer E encolher dinamicamente

Um sistema pode ser escalável sem ser elástico (cresce, mas não encolhe automaticamente). Elasticidade implica escalabilidade, mas o inverso não é verdade.

Como a Elasticidade Funciona

Componentes básicos

  1. Métricas de monitoramento — CPU, memória, requisições, latência
  2. Regras de escala — condições que disparam aumento ou redução
  3. Orquestrador — componente que adiciona/remove instâncias
  4. Load balancer — distribui tráfego entre instâncias

Fluxo típico

Demanda aumenta
    ↓
Métrica ultrapassa threshold (ex: CPU > 70%)
    ↓
Orquestrador inicia novas instâncias
    ↓
Load balancer inclui novas instâncias
    ↓
Carga é redistribuída
    ↓
Métricas normalizam

O processo inverso acontece quando a demanda cai.

Tipos de Elasticidade

Elasticidade reativa

Responde a mudanças após elas acontecerem. É o modelo mais comum.

Vantagens:

  • Simples de implementar
  • Baseada em métricas reais

Desvantagens:

  • Delay entre demanda e resposta
  • Pode não ser rápida o suficiente para picos abruptos

Elasticidade preditiva

Usa dados históricos e machine learning para antecipar mudanças de demanda.

Vantagens:

  • Prepara recursos antes do pico
  • Melhor experiência do usuário

Desvantagens:

  • Mais complexa de implementar
  • Depende de padrões previsíveis

Elasticidade programada

Escala baseada em horários conhecidos (ex: mais recursos durante horário comercial).

Vantagens:

  • Previsível e controlável
  • Não depende de métricas em tempo real

Desvantagens:

  • Não responde a variações inesperadas
  • Pode desperdiçar recursos

Desafios da Elasticidade

1. Tempo de inicialização (cold start)

Novas instâncias precisam de tempo para iniciar. Se esse tempo for longo, a elasticidade perde efetividade.

Mitigações:

  • Otimizar tempo de boot da aplicação
  • Manter pool mínimo de instâncias quentes
  • Usar containers leves

2. Estado da aplicação

Aplicações stateful são difíceis de escalar elasticamente. Sessões, cache local e estado em memória complicam a adição/remoção de instâncias.

Mitigações:

  • Externalizar estado (Redis, banco de dados)
  • Design stateless
  • Sticky sessions (com cuidado)

3. Conexões persistentes

Bancos de dados, filas e serviços externos têm limites de conexão. Escalar instâncias pode esgotar esses limites.

Mitigações:

  • Connection pooling
  • Limites por instância
  • Serviços gerenciados com escala própria

4. Custos inesperados

Elasticidade mal configurada pode gerar custos altíssimos — especialmente em cenários de loop de escala ou ataques.

Mitigações:

  • Limites máximos de instâncias
  • Alertas de custo
  • Rate limiting na aplicação

5. Thrashing (oscilação)

Sistema fica alternando entre escalar e desescalar rapidamente, gerando instabilidade.

Mitigações:

  • Cooldown periods entre ações de escala
  • Thresholds com histerese (valores diferentes para subir e descer)
  • Escala em steps maiores

Métricas para Elasticidade

Métricas de entrada (quando escalar)

  • CPU utilization — simples, mas pode ser enganosa
  • Request rate — mais direta para aplicações web
  • Queue depth — excelente para workers
  • Response time — escala baseada na experiência do usuário
  • Custom metrics — específicas do negócio

Métricas de saída (quando desescalar)

Geralmente as mesmas métricas, mas com thresholds mais conservadores para evitar thrashing.

Elasticidade na Prática

Exemplo: E-commerce na Black Friday

Dias normais: 10 instâncias
Pré-Black Friday: escala programada para 50 instâncias
Durante: elasticidade reativa permite chegar a 200 instâncias
Pós-pico: volta gradualmente para 10 instâncias

Exemplo: SaaS B2B

Noite/madrugada: 2 instâncias (mínimo)
Horário comercial: 5-10 instâncias (elasticidade reativa)
Final de mês (fechamento): picos de 15-20 instâncias

Boas Práticas

  1. Defina limites máximos — proteja-se de custos descontrolados
  2. Teste a elasticidade — simule picos e valide o comportamento
  3. Monitore o tempo de escala — saiba quanto tempo leva para reagir
  4. Use múltiplas métricas — CPU sozinha raramente conta a história toda
  5. Planeje o mínimo — quantas instâncias você precisa mesmo sem carga?
  6. Considere reservas — instâncias reservadas para baseline, on-demand para picos

Conclusão

Elasticidade é uma capacidade poderosa da cloud, mas não é automática nem gratuita. Ela exige:

  • Aplicações preparadas (stateless, boot rápido)
  • Configuração cuidadosa de thresholds e limites
  • Monitoramento contínuo do comportamento
  • Testes regulares dos cenários de escala

Quando bem implementada, elasticidade transforma custos fixos em variáveis e garante que seu sistema responda à demanda real — sem desperdício e sem surpresas.

A cloud promete elasticidade. Cabe a você garantir que seu sistema está pronto para aproveitá-la.

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